O caso da adolescente aconteceu em outubro do ano passado. Segundo a jovem, ela já havia furtado no supermercado e resolveu voltar ao estabelecimento com duas amigas, para roubar mais uma vez. Quando chegou no Atakarejo, ela foi reconhecida por um dos seguranças.
“Estava e eu minhas duas amigas, aí a gente foi lá para o mercado roubar. O segurança reconheceu a gente. Aí ele chamou os caras do Nordeste [de Amaralina]. Ele deveria o que? Levar a gente para a delegacia, prestar ocorrência ou até mesmo entregar ao juizado, fazer algo do tipo, que eu não ia questionar, porque eu estava errada”, argumentou ela.
“Fazer isso com um ser humano, entregar nas mãos de uns traficantes, sabendo que os traficantes podem matar, cortar a mão, fazer essas coisas é cruel”.
Ao perceber a chegada dos homens, as três jovens correram, mas o grupo criminoso alcançou a adolescente.
“Eles [traficantes] me pegaram e, quando me pegaram, graças a Deus não acharam elas [as amigas]. Aí me levaram lá para o Nordeste. Lá, os caras me deram um monte de coronhada. Todos. Não sei se foi 10, se foi 11 homens, 15, não sei. Tinha homens e meninos. Aí me bateram muito, me deram coronhada, me deram de ferro, de pau”.
Durante a sessão de tortura, a jovem conta que teve o braço cortado e machucado com uma barra de ferro. Os criminosos ainda fotografaram a adolescente. As imagens, que circulam nas redes sociais, mostram a jovem bastante ensanguentada e com o braço perfurado pelo ferro.
“Me cortaram, abriram meu braço aqui com ferro. Isso ainda me afeta muito, me dói muito, porque aconteceu comigo e eu ainda fiquei com o trauma, sabe? Fiquei um tempo com trauma, escutando vozes, achando que as pessoas iam atrás de mim”.
Apesar de ter ficado muito ferida, ela conseguiu escapar. A adolescente não registrou queixa do espancamento e tortura na delegacia por medo de represálias.
“Eu fiquei com muito medo, porque eu era sozinha, entendeu? Eu fiquei com medo dos caras me matarem, essas coisas. Aí eu deixei para lá, entendeu?”.
Em nota, o supermercado Atakarejo informou que não compactua com qualquer ato em desacordo com a lei. Sobre o caso dos homens mortos pelo furto da carne, o estabelecimento informou ainda que os fatos serão investigados e conduzidos pela polícia.
(Fonte: G1 Bahia)